Críticas | Segredos de um Escândalo

“Segredos de um Escândalo” estreia em 18 de janeiro nos cinemas brasileiros.

Segredos de um Escândalo
Natalie Portman e Julianne Moore são as protagonistas do filme. (Foto: Reprodução)

Existem histórias reais intrigantes por diferentes aspectos. Com o advento do gênero true crime, a exploração desses fatos se tornou mais comum, enfrentando, muitas vezes, a linha tênue entre o admirável, o escrachante e o desagradável.

Inspirado levemente em uma história verdadeira, Segredos de um Escândalo (May December, no título em inglês) busca mostrar um pouco dessa linha que ultrapassa o apropriado, além dessa necessidade absurda de algumas pessoas de Hollywood precisarem se envolver em situações para “melhorarem” seus papéis.

No filme dirigido por Todd Haynes, conhecemos Elizabeth Berry (Natalie Portman), uma atriz de produções medíocres que talvez ganhe a notoriedade que busca ao interpretar Gracie (Julianne Moore), uma mulher que ficou conhecida nacionalmente pelo envolvimento com Joe (Charles Melton), quando ela tinha 36 anos e ele apenas 13 anos.

Desconfortável em diferentes momentos dos 117 minutos de duração, Segredos de um Escândalo tem uma potência gigantesca ao mostrar a manipulação de Gracie a Joe (inspirada no escândalo de Mary Kay Letourneau), incluindo diálogo semelhante a uma entrevista real. Além desse relacionamento, o longa-metragem também mostra a toxicidade de Gracie com seus filhos com Joe, e a ausência de convivência com seus outros filhos.

Cory Michael Smith (Transatlântico; Gotham) interpreta Georgie, um dos filhos de Gracie com Tom (D.W. Moffett), amargurado e talvez um dos que mais sofreu com o escândalo entre a mãe e o colega de classe, sendo amargurado, tóxico da sua própria maneira. A condução das entrevistas de Elizabeth a pessoas ligadas a família mostram como a cidade ainda lida com a história que chegou as páginas de tabloides do país inteiro – como a comunidade acolheu (ou não) a família.

Melton, conhecido por sua participação de Riverdale (2017-2023), se impõe em cenas com Moore e Portman, especialmente quando a fragilidade (e a uma inocência sobre os acontecimentos) de Joe é explorada. Sua presença é compatível com o que as atrizes trazem à cena, e, ao dividir cena com outros atores, também consegue ser cativante.

O embate entre Moore e Portman é mesmerizador em tela. A manipulação de Gracie e seu incômodo com as perguntas de Elizabeth, são apenas parte do grande desconforto do roteiro escrito por Samy Burch. A animosidade entre as personagens é o que dá forma ao longa-metragem, e como ambas não reconhecem as problemáticas da situação. Se Gracie declara ser ingênua, Elizabeth demonstra egocentrismo em sua incorporação de trejeitos de sua inspiração.

Todas as escolhas, da trilha sonora até a edição, completam a forma sincrônica de como Haynes desejou contar a história – quase uma caminhada pelos estágios do desconforto, com um humor vergonhoso para alimentar a narrativa.

No fim, Segredos de um Escândalo consegue entregar algo que caminha em dois espectros diferentes em uma mesma narrativa. Enquanto mostra trauma, repercussão sensacionalista e desassociação da verdade, também migra para um conteúdo desconcertante dentro desses temas, aprimoradas pelas interações entre Moore, Portman e Melton.

Segredos de um Escândalo estreia em 18 de janeiro nos cinemas brasileiros.

Nota:

Avaliação: 4 de 5.

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