Críticas | Cara-de-Barro
“Cara-de-Barro” estreia em 22 de outubro nos cinemas brasileiros.

A DC Studios está passando, novamente, por provações neste ano de 2026.
Apesar do fracasso na bilheteria, Supergirl era um projeto interessante, cujo principal erro foi o tamanho de seu vilão (que, mesmo gabaritando o código penal, não tem a força necessária para o público). Já Lanternas soube ser um diferencial e brincar dentro de um gênero de invetigação, principalmente os elementos de True Detective. Assim, trazer o gênero do body horror, do thriller psicológico com um dos vilões mais icônicos de Gotham City, é um experimento que podemos aplaudir.
Em Cara-de-Barro (Clayface), acompanhamos Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um ator em ascensão que acaba com seu rosto desfigurado. Assim, acaba cruzando o caminho com Caitlyn Corr (Naomi Ackie), uma cientista que realiza experimentos com uma tecnologia que acaba transformando seu corpo em barro.
O filme é inteligente em não determinar em qual universo se estabelece. Afinal, com a produção de Matt Reeves, pode se misturar com o Cavaleiro das Trevas vivido por Robert Pattinson, ou ganhar destaque dentro de um universo compartilhado com o herói de Metropolis de James Gunn.
Com a história de Mike Flanagan e dirigido por James Watkins, o longa-metragem consegue ser imersivo nessa jornada de astro do cinema até aquele que vive nos esgotos para sua sobrevivência e aterrorizar Gotham. A narrativa ainda explora Hollywood (no caso do universo da DC, Coast City – onde mora Hal Jordan) e seus cenários de favores e descartes.
A maquiagem com próteses e os efeitos começam de forma tímida, e atingem um ápice no momento correto. A transformação é perturbadora, gatilhada, e Hagen assume sua nova identidade conforme o estresse explode ao seu redor. Ele começa a se compreender em uma tentativa de heroísmo, de vingança, e acaba em uma jornada destrutiva.
Entretanto, a decisão de colocar Hagen em uma paixonite, em uma confusão com agradecimento por Corr, me lembrou com Coringa (2019) e a trama com a vizinha vivida pro Zazie Beetz. Mas isso não é positivo, em uma obsessão que se alimenta dos gatilhos que transformam seu corpo.
Assim, Cara-de-Barro é um capítulo interessante para a história da DC Studios. Com história de Flanagan e dirigido por Watkins, o longa-metragem se entrega ao body horror e aos esquemas do submundo de Gotham City. Harries se destaca nesse projeto, mostrando uma entrega a um personagem que se transforma de maneira pertubadora, com muitos momentos de sustos ou gore, que fazem o público não querer abrir o olho e presenciar o que está na tela (e isso, querendo ou não, faz parte dos trunfos do gênero).
Cara-de-Barro estreia em 22 de outubro nos cinemas brasileiros.
