Críticas | Carrie, a Estranha – 1ª temporada

A primeira temporada de “Carrie, a Estranha” estreia em 7 de outubro no catálogo do Prime Video.

Críticas | Carrie, a Estranha - 1ª temporada
Foto: Reprodução

Readaptações de livros são comuns no audiovisual. Cada novo diretor ou roteirista que deseja trazer sua visão sobre uma obra, encontra maneiras de contar a história que vai além de uma nova tecnologia, por exemplo. Muitas vezes, cruza com conversas importantes com o período em que é contado, e, em outras, trazem uma nova roupagem a uma obra secular.

Desta forma, a primeira obra escrita por Stephen King já ganhou algumas versões desde o seu lançamento em 1974. Obviamente, é preciso lembrar do filme dirigido por Brian de Palma em 1976, que deu início a uma franquia de altos e baixos. A semicontinuação complicada, A Maldição de Carrie, em 1999, e outros dois longas-metragens em 2002 (exibida diretamente pela NBC) e em 2013 (com a Chloë Grace Moretz como a protagonista) também já reimagiram a obra e trouxeram para o século XXI – e até uma musical em 1988.

Criada por Mike Flanagan, Carrie, a Estranha acompanha a estudante de ensino médico Carrie White (Summer H. Howell), que passou a vida em seclusão com sua mãe superprotetora. Após a morte reptentina do pai, é lançada no ecossistema do ensino médio público, precisando lidar com um escândalo de bullying que viraliza em sua comunidade, a pressão e a crueldade das redes sociais – além do despertar misteriosos poderosos telecinéticos que surgem com sua adolescência.

Após uma boa passagem pela Netflix, e explorar os trabalhos de King com Jogo Perigoso (2017), Doutor Sono (2019) e A Vida de Chuck (2024), Flanagan acerta em trazer a história de Carrietta White para os tempos atuais. A inserção das mídias sociais mostram um novo aspecto da prática do bullying, algo que transcende um espaço físico e migra para um local que acreditam, ainda, ser terra de ninguém, sem consequência.

Além disso, é acertado em como desenvolve a história em um novo quebra-cabeças. A narrativa é capaz de conectar o que conhecemos do universo literário de King. Sm fugir da essência do livro que começou tudo – e até homenagens ao filme de 1976 dirigido por Brian de Palma -,o seriado não tem medo dessas mudanças para trazer um novo público para a narrativa tão conhecida.

Howell surpreende como Carrie. A atriz consegue dosar a inocência da personagem descobrindo um novo mundo, sendo crível em cada construção, comas nuances fazendo o arco ter mais potência narrativa. Durante os oito episódios, percebemos sua evolução e nessa nova percepção dos poderes telecinéticos, além de compreender quem são seus “inimigos”. A escola se torna hostil, mas logo percebe que, também, vive uma situação abusiva em casa e não sabe em que confiar.

Os abusos de Margaret White (Samantha Sloyan) são mais brandos, com uma força mais concentrada no fanatismo religioso. A personagem ainda é odiável, vivendo em uma bolha de conspirações e a punitividade em nome de Deus. Suas palavras doem, mergulhadas na linha tênue entre proteção da sua filha e uma percepção desconcertante sobre o mundo.

Os arcos dos adolescente continuam no mesmo caminho que o livro de 1974 (ou próximo do que já foi encenado algumas vezes). Sue Snell (Siena Agudong) assume uma posição de proteção com Carrie na escola, e questiona sua própria índole. Enquanto Christine Hargensen (Alison Thornton) é a típica garota má de cidade pequena que culpa a todos, menos a si, por suas ações – e qualquer consequência que venha a ter.

Já os professores possuem mais camadas. Rita Desjardin (Amber Midthunder) é novata na escola, também buscando entender onde se encaixa, e compreender como alguém que precisa proteger e não praticar o bullying. E o personagem de Matthew Lillard tem a difícil missão de ser o apaziguador, mostrando que, muitas vezes, o sistema falha e não é possível contorná-lo como desejamos nesse cenário brutal envolvendo as mídias sociais.

Assim, Carrie, a Estranha continua com a base sólida do livro, bem mais interessante que versões anteriores e se aproximando do que foi fundamental em 1976. A primeira obra de King ganha uma dimensão mais acertiva com a contemporaneadade, o impacto das mídias sociais e como enxergamos, hoje, o fanatismo religoso. Criou-se uma conexão com o universo de King, buscando sua expansão e uma continuação (Flanagan já menciou querer um arco de três temporadas), sem deixar sua essência de lado.

A primeira temporada de Carrie, a Estranha estreia em 7 de outubro no catálogo do Prime Video.

Nota: