Críticas | Verity

“Verity” estreou em 30 de setembro nos cinemas brasileiros.

Críticas | Verity
Foto: Reprodução

Quando pensamos em adaptações literárias de livros contemporâneos, esbarramos muito nas questões de narração. A maioria dos livros atuais que estão ganhando as telas, são aqueles contados em primeira pessoa (seja um único ponto de vista, ou um dual).

Assim, é complicado (para dizer o mínimo) em conseguir narrar completamente o que é o desejo do autor nas páginas quando conversamos sobre thrillers, suspense e outros gêneros similares. Tropençamos em “falsos testemunhos” – já que o narrador não pode, em momento algum, ser tratado como confiável. E é um problema adicional, quando já existem problemas na escrita de alguns ou falhas em suas histórias.

Baseado no livro homônimo de Colleen Hoover, Verity acompanha Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma autora que é contratada por Jeremy Crawford (Josh Hartnett) para terminar os livros da esposa Verity Crawford (Anne Hathaway). Conforme fica na casa deles, Lowen descobre um manuscrito que revela detalhes perturbadores sobre o passado da autora fictícia.

Com roteiro de Nick Antosca e dirigido por Michael Showalter, o filme busca ser um thriller erótico – mas falha de maneira desastrosa. O longa-metragem acaba em um limbo sem se comprometer com quaisquer gêneros. E, mesmo com a leitura do manuscrito (que retira parte da carga emocional), não existe qualquer peso na narrativa, demora para acontecer a viradas de chave necessárias para o enredo.

Aqui, não sei confirmar se é um problema do projeto do Antosca, uma edição mal resolvida ou falhas na história de Hoover. Pelo resumo encontrado facilmente, a narração não confiável é fundamental para que o enredo funcione. Entretanto, a gente precisa abraçar a personagem principal para que isso se desenvolva com engajamento – e isso não acontece neste longa-metragem.

Johnson interpreta uma Lowen irritante. Nem nos momentos que precisam evocar o erotismo funcionam completamente. A personagem não ganha dimensão, apenas obsessão que beira a sonolência. Já o personagem de Hartnett ganha algum resquício de personalidade somente no apagar das luzes dos 117 minutos, sem qualquer traço de que veremos mais de sua manipulação emocional (mais presente no capítulo extra do livro).

Hathaway é assustadora catatônica. A atriz (que está lançando seu quinto filme neste ano de 2026) é, talvez, a única que brinca com a essa manipulação da verdade. Mesmo assim, é mal aproveita de alguma maneira. Eu queria ter mais dela e do que o manuscrito diz, que tivesse todo o potencial de um thriller – que, por coincidência, tem momentos de sexo, de desejo, de obsessão.

Assim, Verity se perde na própria ganância e não decidir onde exatamente quer chegar. Johnson se destaca quando não se leva a sério, enquanto Hathaway consegue mexer com expressões somente pelo olhar. Ao mesmo tempo, a indecisão do roteiro de Antosca não é um entretenimento gostoso – é apenas frustrante, com personagens irritantes, cujas manipulações de verdades não são nem um ponto de virada impactante.

Veirty estreou em 30 de setembro nos cinemas brasileiros.

Nota: