Críticas | Só Por uma Noite
“Só Por uma Noite” estreia em 20 de agosto nos cinemas brasileiros.

Apesar de um efeito no audiovisual afirmar que comédias românticas estão em momento complicado, acredito que falta uma compreensão que estamos em uma nova era. Estamos mais cínicos e precisamos de mais do que apenas uma química irredutível dos protagonistas (algo que até Christopher Nolan mencionou). Mas, ainda existem aqueles projetos que prometem (e até cumprem) a premissa básica do gênero.
Nos últimos anos, tivemos algumas produções que continuam a trazer essa sensação de filmes do século passado que tantos desejam. E, talvez, mesmo com uma sinopse alarmante e com um passo numa possibilidade na nossa realidade, um novo filme chega para se firmar entre os longas-metragens que respeitam e adoram o gênero.
Em Só Por Uma Noite, uma decisão do governo estadunidense estabeleceu a proibição do sexo antes do casamento. Porém, uma vez por ano, durante 12 horas, está liberado. O filme acompanha Owen (Callum Turner), dono de uma pizzaria e que deseja pedir a namorada Malika (Maya Hawke) em casamento na data. Mas ela tem outros planos. Ao mesmo tempo, somos apresentados a Allie (Monica Barbaro), cantora que busca da própria história de amor. e conexões importantes Entre encontros e desencontros, acabam em situações juntos que testam suas próprias percepções sobre amor.
Dirigido por Will Gluck (Todos Menos Você; A Mentira), o filme é possui mensagens veladas sobre as imposições autoritárias dos corpos. É interessante perceber que a liberação é celebrada como Ano-Novo. Assim como a franquia Uma Noite de Crime, precisamos bloquear quaisquer relações com a realidade e pensar na alternativa – enquanto também busca trazer essas mensagens para a audiência de forma sutil.
Barbaro é encantadora como Allie. Sua busca por conexões não é em vão, com amigas que apreciam sua visão. Seu primeiro encontro com Owen é desastroso, mas a cada momento que se reúnem, vão se abrindo e criando se apaixonando (mesmo que 12 horas seja rápido demais). Ela possui suas inseguranças e é cativante no palco cantando “Only You”. Turner consegue ser um protagonista desejável. Percebemos que o personagem é um romântico e deseja iniciar um novo momento em sua relação amorosa.
Durante os 102 minutos, o longa-metragem se dedica a sempre mencionar sobre a imposição governamental, como é um controle que inclui biotech e muitas regressões. Mesmo com Gluck afirmando que precisou dar uma dosagem em cenas mais apimentadas, existe a nudez e as implicações do sexo – e alguns até feitichistas e excêntricos.
A música, comandada por Este Haim e Christopher Stracey, é fundamental também para pela narrativa. As paródias de canções conhecidas é um atrativo a parte do filme e alguns são constrangedores pelo que estão propagando.
Assim, Só Por Uma Noite é alarmante em sua premissa, enquanto busca a leveza de uma história de amor. Barbaro e Turner são cativantes em seus personagens e constroem uma relação baseada na conexão e que não irá quebrar com as imposições do governo conservador. Gluck sabe dirigir e trazer comédias românticas com protagonistas atraentes.
Só Por Uma Noite estreia em 20 de agosto nos cinemas brasileiros.
