Críticas | Digger

“Digger” estreia em 1º de outubro nos cinemas brasileiros.

Críticas | Digger
Tom Cruise é o protagonista do filme. (Foto: Reprodução)

Desde a inserção do termo spoiler no mundo cinematográfico, posso contar nos dedos o número de produções, cujas experiências são estragadas por algo comentado em cena. São geralmente projetos com viradas que influenciam a maneira de assistir e que é importante receber isso de forma coletiva. Mesmo assim, é possível analisar tais projetos por outra perspectiva quando já sabemos alguns pontos importantes do enredo (e aqui, é impossível entrar aqueles seriados, filmes ou livros com mais de cinco anos e amplamente comentados).

Alejandro G. Iñarritu, provalvemente, fez o filme que faz a questão do spoiler voltar a ser importante, onder guardar qualquer detalhe do longa-metragem é fundamental para a experiência dos outros. O cineasta mexicano criou algo potente, extremamente tópico, enquanto explora catástrofes e em quem a humanidade pode confiar em situações globais.

Em Digger, o homem mais poderoso do mundo embarca em uma missão frenética para provar que é o salvador da humanidade – antes que o desastre que desencadeou destrua tudo.

Escrito por Iñárritu, Alexander Dinelaris, Nicolás Giacobone e Sabrina Berman, o filme sabe que irá dividir opiniões – e não tem medo disso. Mergulhado na sátira, é uma narrativa sobre a humanidade e para onde estamos caminhando. Assim como outros trabalhos de Iñarritu, onde o ego faz parte do enredo, aqui também mergulha nesta questão de maneiras mais existencialistas, por vezes completamente envolto de personagens cheios de maneirismos de personalidades reais (com inspirações tão evidentes, que fica difícil desver).

Após muitos anos, Tom Cruise se desafia como o protagonista deste filme. O ator sai de sua zona de conforto e busca encontrar camadas neste personagem, principalmente com tantas viradas e motivações que ocorrem aos 129 minutos. Cruise começa caricato, mas logo percebemos a sua decisão – e como é cementado no que é contado pela narrativa.

Junto com Cruise, o elenco se fortelece conforme os minutos passam. As viradas são fundamentais para fazer os personagens crescerem, mas principalmente estabelecerem as dinâmicas que, novamente, possui inspirações reais. John Goodman e Riz Ahmed são forças que se contrapõem, trazendo as melhores cenas com Cruise (além das enigmáticas personagens de Sophia Wilde e Jesse Plemons). Outros destaques são Sandra Hüller, e Emma D’Arcy que, por mais que apareçam pouco, sabem aproveitar suas cenas com Cruise.

A trilha sonora de Cosmo Sheldrake é algo fenomenal e a cinematografia de Emmanuel Lubezki é cheia de nuances. São distinções como luzes vermelhas, detalhes conjuntos envolvendo o figurino e um cenário que respira junto com todo o enredo.

Assim, Digger irá dividir opiniões – e todos os envolvidos sabem disso. Iñarritu planejou algo satírico, megulhado em uma crítica social e um estudo sobre a humanidade – e em quem confiamos para nos salvar. É importante que cada virada seja guardada para que todo o projeto ganhe sua devida proporção. Cruise está em um papel que o desafia e o faz sair dos maneirismos comuns, enquanto Ahmed e Goodman são os contrapontos necessários para um personagem tão único. O filme é tópico, com nuances integradas em cada cena, seja iluminação, figurinos e todo o design de produção. É um dos projetos mais ambiciosos dos últimos anos e que se beneficiará da banição de spoilers.

Digger estreia em 1º de outubro nos cinemas brasileiros.

Nota: