Críticas | Mestres do Universo

“Mestres do Universo” estreia em 4 de junho nos cinemas brasileiros.

Críticas | Mestres do Universo
Foto: Reprodução

A Mattel está vivendo um momento único dentro do cinema. Após o sucesso de Barbie (2023), está trabalhando arduamente para trazer coleções icônicas para as telonas. Entre os projetos que chegam, por exemplo, em breve, está Matchbox: O Filme (em 9 de outubro, com a Apple Studios) e desenvolve versões live-action de Thomas e Seus Amigos, Barney, Polly Pocket, Hot Wheels, Monster High e até Uno.

Porém, o projeto que vai inaugurar essa nova “era” é a nova versão live-action de He-Man. A série animada durou apenas duas temporadas na década de 1980, conquistou o mundo (com o grupo Trem da Alegria realizando uma canção original para o desenho no Brasil), e já teve uma produção com atores na década de 1990. Agora, ganha uma roupagem contemporânea e que abraça muito do que conhecemos.

Em Mestres do Universo, o Príncipe Adam (Nicholas Galitzine) reencontra a Espada do Poder após 15 anos e retorna para uma Eternia destruída por Esqueleto (Jared Leto). Ao lado de Teela (Camila Mendes), Mentor (Idris Elba) e outros personagens conhecidos, Adam busca derrotar o vilão e seus capagangas (entre eles Maligna, vivida por Alison Brie) e ser aquele que Feiticeira (Morena Baccarin) viu como herói de Eternia.

Dirigido por Travis Knight, o filme se assume como cafona – no melhor sentido. A produção exala as bizarrices da década de 1980 e busca uma história de origem simples, mas que já está estabelecida no imaginário popular. Com momentos engraçados, o longa-metragem tem aquele afeto da série He-Man e carisma de sobra.

Galitzine assume o papel de Príncipe Adam com louvor. Sua transformação física não é o que impressiona, mas, sim, a maneira como lidera o filme e consegue trazer algo único para o herói. Adam é inseguro, mas cresce durante os 141 minutos, e o ator britânico (em seu terceiro papel da realeza) consegue mostrar novas facetas para o seu currículo.

Mendes é uma Teela independente, cheia de motivações. Ao lado de Elba, se eleva e assume uma posição mais forte dentro do contexto apresentado. E, junto com Galitzine, forma uma dupla em construção, equilibrada e com potencial inegável. Já Leto e Brie se destacam pela parceria cômica (mais evidenciada na versão dublada), e uma dupla de vilões maléficos, sem histórias tristes e uma busca incasável pelo poder. Baccarin acaba subutilizada, mas com potencial de aparecer mais em possível sequência.

A trilha sonora é fundamental para que o filme também entre no clima dos anos 1980. Seja releituras das músicas do seriado animado ou utilizar canções conhecidas, funcionam e trazem algo reconfortante para aqueles que serão apresentados a franquia. Destaque para a canção-tema escrita por Brian May (da banda Queen), que compôs a canção ao lado do compositor Daniel Pemberton e utilizou a guitarra icônica Red Special para celebrar o projeto.

Assim, Mestres do Universo é um abraço à nostalgia, ao mesmo tempo que procura apresentar uma vasta mitologia para um público novo. Uma história de origem inteligente, se prepara para continuações com ligações em cenas durante e pós-créditos. Galitzine sabe misturar o heroísmo, as inseguraças e o cômico do personagem, com boas sequências de lutas entre o protagonista e antagonistas. O filme não deseja ser algo mirabolante, cheio de nuances. O projeto de Knight vai direto ao ponto, com introduções sagazes ao universo e, principalmente, abraçando a cafonisse do seriado da década de 1980.

Mestres do Universo estreia em 4 de junho nos cinemas brasileiros.

Nota:

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