Críticas | Street Fighter
“Street Fighter” estreia em 15 de outubro nos cinemas brasileiros.

É fato que a nostalgia é uma mobilizadora dentro do audiovisual. Quando adicionamos o fator de jogos em arcade ou que surgiram no fim do século XX, extrapola o que conhecemos e como caminhamos em narrativas. A exemplo disso, podemos falar de Mortal Kombat e Super Mario Bros., que souberam, em espectros diferentes, se moldarem a nostalgia enquanto trazem algo moderno para a audiência (e vão agradar parcelas do público, independente de bilheterias ou crítica).
Adquirida pela Legendary Entertainment em 2023, a propriedade de Street Fighter já ganhou duas outras versões live-action. A mais icônica chegou em 1994, apenas um ano após o lançamento de Street Fighter II, que popularizou de vez o jogo em arcade.
Ambientada em 1993, esta versão de Street Fighter acompanha Chun-Li (Callina Liang) recrutando Ken Masters (Noah Centineo) e Ryu (Andrew Koji) para participarem do torneio de artes marciais, enquanto também precisam lidar com M. Bison (David Dastmalchian).
Dirigido por Kitao Sakurai, o longa-metragem acerta em explorar a cafonice do fim do século passado, com easter-eggs que contemplam a franquia de jogos da Capcom. A narrativa deixa muito estruturado quais são os principais pontos do enredo, sem deixar de trazer elementos que sejam alívios para o que precisam dentro dessa jornada dos personagens.
Centineo e Koji são bons em serem protagonistas e equilibrarem o yang-yang de seus personagens (com alguns detalhes na produção que acentuam suas curvas narrativas). Dastmalchian é sempre um elemento fenomenal quando falamos de vilões. A presença de Jason Momoa (que também é produtor do filme) como Blanka é simples, mas interessante, enquanto outros se destacam como coadjuvantes do que precisam.
Entretanto, é importante ressaltar que apenas Chun-Li possui alguma dimensão quando mencionamos as personagens femininas. Apenas a Liang ganha a chance de trazer parte de uma história passada, enquanto outras são apenas acessórios sem grandes destaques sobre suas ações (isso em um longa-metragem de 125 minutos e com um elenco majoritariamente masculino).
As sequências de lutas evocam o que conhecemos do arcade. São coreografias que lembram as artes marciais e que tentam preservar quem são seus intérpretes. E isso é louvável, inclusive, na cena de abertura, um dos destaques mais importantes do longa-metragem.
Assim, Street Fighter soube ser interessante em uma reinterpretação de um título icônico – e que já ganhou algumas versões ao longo quase quatro décadas. Sakurai abraça o cafona dos anos 1990, quando o jogo de arcade se popularizou, e reconhece que é um momento oportuno de tentar trazer algo sem grandes ideias mirabolantes. O roteiro deixa escancarado o desejo de uma sequência e explorar esses personagens – e outros que apareceram em outros jogos da franquia.
Street Fighter estreia em 15 de outubro nos cinemas brasileiros.
