Críticas | Razão e Sensibilidade

“Razão e Sensibilidade” estreia em 29 de outubro nos cinemas brasileiros.

Críticas | Razão e Sensibilidade
Foto: Reprodução

Os romances de Jane Austen são importantíssimos para a literatura mundial. Assim como obras de conterrâneos, mas de gêneros diferentes, William Shakespeare e Agatha Christie (e também outros), seus trabalhos atravessam gerações. Suas histórias romântica são pertinentes, mergulhadas em momentos históricos e em como ainda somos movidos por sentimentos.

Dessa forma, não é incomum revisitações de suas obras no audiovisual. Orgulho e Preconceito, por exemplo, possui duas versões celebradas, lançadas em 1995 e 2005, e em dezembro ganhará um novo olhar. Já Emma, ganhou versão homônima recentemente, com Anya Taylor-Joy no papel principal, e uma versão “atualizada” com As Patricinhas de Beverly Hills (1995).

Baseado no primeiro livro da autora britânica, a nova versão Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility) acompanha a histórias das irmãs Dashwood e suas buscas por amor, estabilidade, após a morte do pai. Enquanto Elinor (Daisy Edgar-Jones) se encanta por Edward Ferrars (George MacKay), irmão de sua cunhada, a irmã mais nova Marianne (Esmé Creed-Miles) se apaixona por John Willoughby (Frank Dillane), mas também ganha a atenção do Coronel Brandon (Herbert Nordrum).

Dirigido por Georgia Oakley, o longa-metragem busca fazer um estudo como as irmãs são opostas. Elinor é aquela que navega por seus sentimentos de maneira retraída, expressando suas emoções através de pequenos gestos, ou se escondendo. Já Marianne é intensa, impulsiva, se entrega as paixões sem medo. O relacionamento entre elas – e até com a irmã mais nova Margaret (Bodhi Rae Breathnach) – é mais importante que as passagens de Ferrars, Brandon ou Willoughby em suas vidas.

Ainda sim, o romance está presente. São duas histórias que navegam pela alta sociedade e expectativas, incluindo como a família enxerga tais acordos. Oakley consegue evocar um sentimento sincero em como a audiência enxerga essas narrativas, esses romances que desbrocham em pequenas assembleias, bailes, uma aproximação em um círculo familiar ou uma situação de cavalheirismo.

Edgar-Jones sabe ser uma protagonista. Sua Elinor é sutil, mas capaz de enfrentar leões pelo bem-estar das irmãs. Já Creed-Miles se entrega a sua personagem, a sua passionalidade. As duas atrizes conseguem fazer do longa-metragem algo delicado, destacando-se nessa irmandade que prospera ao longo dos 132 minutos. Destaque para a Sra. Jenning, interpretada por Fiona Shaw. A atriz é um deleite, roubando suas cenas com a parente excêntrica que não precisa obedecer as regras da alta sociedade londrina.

A trilha sonora é belíssima e os cenários são meticulosos. Apesar do tom quase monocromático, extremamente mutado, é um projeto que exalta o natural. Os momentos ao ar livre são os mais delicados, principalmente com Marianne sendo a que mais desfruta desses locais. Nos momentos em que as personagens estão em Londres, o cinza predomina, ressaltando a cidade e suas particularidades. Desta forma, é uma maneira completa de narrar a história desejada.

Assim, Razão e Sensibilidade traz a irmandade, a natureza para o centro do enredo. Os romances continuam em evidência, assim como seus corações partidos e a possibilidade de sentir, novamente, a paixão. Edgar-Jones e Creed-Miles são a força do longa-metragem de Oakley, com destaque para como conduzem com maestria suas personagens (tão opostas, mas que buscam um matrimômio baseado no amor). Apesar de ser mais sóbrio que o filme de 1995, dirigido por Ang Lee, o filme ainda é belíssimo, evocativo e um exemplar para a condução de uma história romântica secular.

Razão e Sensibilidade estreia em 29 de outubro nos cinemas brasileiros.

Nota: