Críticas | A Ilha Esquecida
“A Ilha Esquecida” estreia em 24 de setembro nos cinemas brasileiros.

De acordo com a definição, a memória é capacidade de armazena e recuperar informações e experiências vividas ao longo do tempo. Assim, não é incomum projetos no audiovisual abordar o tema e a evocação das lembranças, tão importantes para nossa trajetória. Somos movidos por elas, com coisas simples, como cheiros ou berloques, fundamentais para grudar em nosso cérebro.
Em A Ilha Esquecida (Forgotten Island), as amigas Jo e Raissa estão celebrando a última noite juntas antes da faculdade, quando acabam esbarrando em um misterioso portal que as transporta até a ilha fantástica de Nakali. Lá, descobrem que as memórias da amizade são o preço para retornarem para casa e, juntas, correm contra o tempo para deixar o local – antes que esquecem uma da outra.
Dirigido por Januel Mercado e Joel Crawford, o longa-metragem é, acima de tudo, uma ode ao poder da amizade. É uma conversa franca sobre o futuro e a crescimento, além de tratar um pouco sobre a codependência e como é assustador pensar em se conhecer. Tudo isso no cenário da Filipinas e enraizado nos diálogos e em uma mitologia fantástica.
Ao mesmo tempo, o filme é certeiro em mostrar como Jo e Raissa são completamente opostas – e não somente na personalidade. Jo teve somente a avô (lolla) na vida e precisou “crescer” rapidamente, enquanto Raissa teve o apoio dos pais durante toda a vida. Uma é mais rebelde e a outra mais concentrada nos estudos. Ambas se complementam em personalidades e fazem a outra se sentir importante.
Com um estilo animado brilhante (que se tornou uma marca da DreamWorks nos últimos anos), o longa-metragem possui vilões aterrorizantes. Porém, por vezes, estão incompreendidos na própria jornada ou só aparentam ser aquele que antagoniza as protagonistas. Ao longo dos 109 minutos, o filme busca mostrar também sobre o sentimento de pertencimento e como enxergamos o próximo.
O roteiro se constrói em referências importantes e conhecidas do público, tal como O Mágico de Oz e Alice no País das Maravilhas, e, também, é mais adulto por ter protagonistas que estão chegando a esta fase da vida, mesmo recém-saídas das escola. A narrativa pode não ser das mais originais, mas continua algo que sempre irá ressoar, conectar pessoas.
A trilha sonora é outro ponto forte. Hits do século passado embalam o longa-metragem e abraçam a tradição do karaokê com maestria. São canções que embalaram gerações e se concentram em ser parte da história, muito mais que apenas um artíficio bem colocado. Ouvir um “Don’t Stop Believin’” do Journey e a “(Don’t You) Forget About Me” aquecem aqueles que se conectam com canções e com o seu poder de narração.
Assim, A Ilha Esquecida é sobre o poder da memória, das lembranças que nos forjam e o poder da amizade que perdura. É sobre o crescimento e como superar os medos, as inseguranças, em uma fase tão complexa da vida e que muda trajetórias, como é a vida adulta. A amizade de Jo e Raissa é envolvente, mas ainda possui seus próprios obstáculos – afinal, por mais que estejam entrando na vida adulta, ainda não meninas, com impulsos que podem causar males sem quaisquer intenções. A DreamWorks acerta, novamente, com uma história que resgata um sentimento presente em narrativas passadas, mas que não deixa de ser importante e construída junto a um estilo de animação belissímo.
A Ilha Esquecida estreia, oficialmente, em 24 de setembro nos cinemas brasileiros. Antes, o longa-metragem estará em circuito de pré-estreia durante a Semana do Cinema (de 10 a 16 de setembro).
