Críticas | O Fim da Rua
“O Fim da Rua” estreia em 13 de agosto nos cinemas brasileiros.

Sabemos que um dos fascínios dos últimos dois séculos, principalmente no audiovisual e na literatura, se refere aos dinossauros e a outros animais pré-históricos. Michael Crichton escreveu livros dos Parque dos Dinossauros, que virou uma franquia de sucesso nos cinemas e em série no streaming, assim como a autora Anne McCaffrey e Sir Arthur Conan Doyle.
Parte disso, podemos assumir que seja pelo que ainda podemos descobrir sobre a humanidade e sobre o que a Terra se transformou nesses períodos – e até quais animais podemos ainda afirmar que são descendentes daqueles gigantes que passaram há mais de 200 milhões de anos.
Em O Fim da Rua (The End of Oak Street), acompanhamos um família na década de 1980 que começa a notar uma série de eventos em sua vizinhança. Entre esses acontecimentos, está a aparição de criaturas pré-históricas – e precisam ficar e trabalharem juntos se quiserem sobreviver.
Dirigido e escrito pro David Robert Mitchell, o longa-metragem traz a sensação do primeiro Parque dos Dinossauros (1993), com o aspecto familiar em jogo. Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor) passam por dificuldades no casamento, com os filhos Audrey (Maisy Stella), prestes a ir para a faculdade, e Brian (Christian Convery) buscando entender as mudanças que podem acontecer em breve na família.
O elemento de ficção científica é explicado de forma simples. A razão pela qual os dinossauros aparecem na vizinhança é construída desde o início, com uma construção que ativa a inteligência da família Platt – mesmo que, por vezes, suas emoções sejam reativas e, como qualquer longa-metragem de sobrevivência, esquecem de pensar antes de agir.
Hathaway e McGregor são fundamentais nessa narrativa. Se percebemos faltas de comunicação e mentiras sendo uma base comum no casamento, a possível destruição da comunidade fortalece a relação e são o equilíbrio entre o pessimismo e o otimismo. Mitchell constrói a situação para que o público tenha empatia pela situação e como algumas situações acontecem – sem deixá-los totalmente isolados.
A tensão está constante no longa-metragem. Durante os 100 minutos, somos lembrados que existem animais em todos os lugares e que, nem todos, são amigáveis e herbívoros. Ao mesmo tempo, Mitchell permite levezas para mostrar a necessidade do riso em situações tensas, fortalecendo a relação de todos da família.
Assim, O Fim da Rua exalta o sentimento que Parque dos Dinossauros trouxe pela primeira vez na década de 1990. Mitchell soube construir uma narrativa envolvente, com tensões constantes para que o público fique imerso na situação apresentada. Uma ficção científica apresenta de forma simples, é possível pensar em algum momento sobre a possibilidade. Hathaway e McGregor são as forças desse longa-metragem, com Stella e Convery apresentando uma fraternidade formidável e com nuances em suas próprias jornadas da adolescência. No fim, é uma pedida agradável para fãs do gênero e que buscam pela nostalgia de outros longas-metragens, sem mergulhar na constância de remakes ou continuações.
O Fim da Rua estreia em 13 de agosto nos cinemas brasileiros.
