Críticas | Moana
“Moana” estreou em 8 de julho nos cinemas brasileiros.

Nesta onda de adaptações live-actions de clássicos da animação, precisamos pensar em como se encaixam nesse momento. Enquanto penso que são interessantes quaisquer produções com atores que buscam modernizar uma história do século XX, também acredito que uma década ainda é recente para fazer o público se interessar por um projeto (e, somado que uma sequência animada chegou em 2024, arrebatando a bilheteria, se torna ainda mais dispensável).
Porém, estamos em um cenário que estúdios almejam apenas números na bilheteria (mesmo que isso signifique perder em qualidade ou histórias originais, mesmo que sejam sequências). Afinal, a familiaridade também se estabelece como fator na hora de escolhas da audiência em um momento que o audiovisual sofre. Então, quando exatas uma década se torna suficiente para realizar uma versão live-action, e para agradar egos, não é muito difícil que seja apresentada e produzida.
Essa é a melhor explicação para trazer Moana com atores aos cinemas mundiais. Menos de dois anos após o lançamento de Moana 2 (que superou um bilhão de dólares em bilheteria) e com o terceiro filme já em desenvolvimento, o live-action chega com o intuito de trazer a familiaridade da personagem e agradar egos perdidos.
A versão live-action de Moana traz a mesma história do filme animado lançado em 2016. Chamada pelo oceano, a jovem personagem-título deixa a ilha de Motunui e viaja além da barreira de recife para devolver o coração de Te Fiti. Ao lado do semi-deus Maui, ela está determinada nesta missão para recuperar o bem-estar da sua comunidade.
Catherine Laga’aia assume o papel de destaque nesta versão. A jovem está encantadora e consegue ter uma boa dinâmica com Maui (interpretado por Dwayne Johnson). Já o semi-deus está mais sarcástico, com a principal mudança do live-action envolvendo sua canção “De Nada” (“You’re Welcome“, no inglês), que precisou se adaptar a realidade que está trabalhando em outro formato.
Apesar de efeitos questionáveis, o filme dirigido por Thomas Kail possui cores. O verde é luxuoso e o mar tem profundidade. Ainda não está à altura da animação (e é quase impossível que seja), mas consegue ter um visual (quando não lida com um exagero de CGI) palatável, não chega a ser uma assombração – talvez apenas grosseiro.
As canções de Lin-Manuel Miranda continuam potentes, e mostram que boas músicas são excelentes nas construções narrativas – independente do formato. Sua música inédita (Along the Way) está nos créditos finais e arredonda a história iniciada há uma década.
Assim, a versão live-action de Moana se prova desnecessária como já era esperado, mas que cumpre sua principal função de trazer a narrativa conhecida para um novo formato. Laga’aia está encantadora, sabe que terá que enfrentar ondas bem mais difíceis que outras atrizes que fizeram personagens adoradas em versão com atores, mas se segura no que é possível dentro dos 115 minutos. Johnson (e uma peruca horrível) sabe ser carismático com o semi-deus, mas não entrega nada de revolucionário em sua atuação. As canções de Miranda continuam a ser um triunfo inquestionável, enquanto novos live-actions de produções recentes começam a chegar para o público.
Moana estreou em 8 de julho nos cinemas brasileiros.