Críticas | O Diabo Veste Prada 2
“O Diabo Veste Prada 2” estreia em 30 de abril nos cinemas brasileiros.

A nostalgia é um fator interessante nessa era do audiovisual. Existem aqueles projetos que são lançados mais pelo sentimentalismo do que terem algo a dizer – e isso faz parte do grande problema do que enfrentamos hoje quando se buscam histórias originais e, por diversas razões, o público precisa abraçar narrativas conhecidas.
Porém, existem aqueles projetos que conseguem costurar a nostalgia em algo que se mostra moderno, necessário e, por vezes, que atingem um novo espaço no imaginário – e muito pelo momento que foram lançado.
Retornando 20 anos depois, mas com enredo diferente da sequência literária que inspirou o filme homônimo de 2006, O Diabo Veste Prada 2 mostra Miranda Priestley (Meryl Streep) enfrentando um novo momento da carreira e o cenário da chamada mídia tradicional.
Com roteiro de Aline Brosh McKenna e dirigido por David Frankel (também responsáveis pelo longa-metragem de 2006), o novo filme consegue destacar o momento da comunicação voltada para cliques, com Andy (Anne Hathaway) sofrendo para entender esse novo momento após uma reviravolta com seu emprego em um jornal novaiorquino. Assim, acaba reencontrando na Runway uma oportunidade que poderá ser um novo trampolim na carreira.
O quarteto formado por Streep, Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci estão afiados, mais confortáveis nesses personagens amadurecidos. Eles conseguem se erguerem em cena, com trocas que enaltecem essas novas camadas que somente o tempo é capaz de entregar.
Kenneth Branagh e Simone Ashley também são destaques do elenco que rondam o enredo principal. O ator irlandês interpreta o esposo de Miranda, alguém que desconheciamos no filme de 2006, e é o acolhimento que a fera das publicações precisa, a calmaria durante a tempestade. Já Ashley vive Amari, nova assistente, que é um equilíbrio entre o que Emily e Andy foram, ao mesmo tempo que coordena Miranda nessa década.
A trilha sonora talvez seja grande responsável por abraçar a nostalgia. Com as mesmas canções do filme de 2006 reimaginadas, se mostram atemporal. Os fãs mais ávidos serão capazes de apontar semelhanças nos guardas-roupas e como a moda é cíclica.
Assim, O Diabo Veste Prada 2 é daquelas sequências que se provam necessárias, com a equipe sabendo lidar com as mudanças que aconteceram em 20 anos e se manterem fiéis ao que construíram. Existem problemas em alguns arcos narrativos, mas que não deixam de acrescentar ao que é a proposta de examinar um pouco sobre o cenário da comunicação atual, de como é o consumo de qualquer peça jornalística. É um acalento para o que o futuro pode ser, enquanto não perde o fôlego e sua maestria.
O Diabo Veste Prada 2 estreia em 30 de abril nos cinemas brasileiros.