Críticas | Maestro

“Maestro” estreia em 20 de dezembro no catálogo da Netflix.

Maestro Críticas
Bradley Cooper é o diretor e protagonista do filme. (Foto: Reprodução)

A complexidade de grandes histórias tendem a encontrar obstáculos narrativos, geralmente com a indecisão sobre as várias facetas da história que podem ser recontadas quando são sobre pessoas (ou eventos) reais. Aceitar que apenas um breve recorte será importante, e que, talvez, em um futuro, será possível comentar sobre outros lados, é o mais difícil.

Essencialmente, uma história precisa encontrar esse caminho para mergulhar e consiga extrair ao máximo o que aquele momento, aquele recorte possa ter. Maestro, escrito por Bradley Cooper e Josh Singer, consegue acertar os momentos da vida de Leronard Bernstein a serem exaltados em tela.

Maestro é um belíssimo exemplo sobre devoções – e engana-se quem acredita que seja sobre a ambição e a ascensão de Bernstein como condutor. O novo filme dirigido por Cooper (que também interpreta o protagonista) é sobre o casamento do compositor com Felicia Montealegre (Carey Mulligan).

Ao centrar o longa-metragem no relacionamento entre os Bernstein e Montealegre, o enredo se transforma através dos olhares e cores. A sexualidade do condutor é essencial para compreender alguns aspectos dessa ligação, dos altos e baixos até os momentos finais de Montealegre (que faleceu de câncer no pulmão aos 56 anos).

É evidente o brilho no olhar de Cooper dentro das cenas nos palcos, sendo cativante, energizante para o público. Mulligan atrai todos os olhares em tela, com uma atuação tão honesta e emocionante, mostrando os conflitos internos de Montealegre enquanto reconhece que Bernstein é um homem bissexual (apesar de acreditarem que ele é homossexual na época por seu envolvimento com homens).

O pincelamento sobre as realizações de Bernstein (como a composição de Amor, Sublime Amor) deixa o espectador curioso para descobrir mais sobre a história complexa do condutor. Assim como sua relação com outras personalidades da época, como David Oppenheim (vivido por Matt Bomer) e Jerome Robbins (Michael Urie), como o cenário artístico nova-iorquino era próximo, interconectado.

A fotografia é realizada com esmero, com um cuidado brilhante com as mudanças do preto-e-branco para a segunda metade colorida. Em 129 minutos, o filme também ganha uma imponência com a trilha sonora orquestral, com a condução vigorosa de Cooper.

Assim, Maestro é um longa-metragem que centra em um romance, uma amizade que fortaleceu Bernstein e Montealegre conforme o passar dos anos. É uma história de amor muitas vezes atípica, que não é reconhecida por não ser exatamente feliz – ou até mesmo romântica. Cooper se mostra mais confortável atrás das câmeras, vislumbrando histórias que ressaltem as mulheres em seus projetos.

Maestro estreia em 20 de dezembro no catálogo da Netflix.

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