Críticas | A Sociedade da Neve

“A Sociedade da Neve” estreia em 4 de janeiro no catálogo da Netflix.

A Sociedade da Neve
“A Sociedade da Neve” é dirigido por J.A. Bayona. (Foto: Reprodução)

Explorar situações reais são traiçoeiras na indústria do entretenimento. Para fazer jus à história (e, principalmente, suas personagens), é necessário um mergulho que não abra espaço para interpretações equivocadas sobre os acontecimentos.

Dirigido por J.A. Bayona, A Sociedade da Neve busca explorar o grupo de sobreviventes de um dos principais acidentes aéreos sul-americanos. Conhecido como o Acidente dos Andes, o filme é concentrado em uma equipe de rúgbi uruguaia, familiares do time e tripulantes da aeronave que, em 1972, sobreviveram 72 dias em temperaturas extremas – precisando recorrer à antropofagia para serem resgatados.

Nos 140 minutos de duração, o longa-metragem não busca romantizar a necessidade da sobrevivência, com muitos lutando para aceitar que o racionamento de alimentos e gelo não seriam suficientes para mantê-los de pé. Sob a narração de Numa Turcantti (Enzo Vogrincic), conseguimos aprender parcialmente sobre aqueles que conseguem estender seus períodos no gelo, e criar apegos momentâneos para tentar descobrir quem sobreviverá até o resgate.

Por mostrar, basicamente, um único cenário, o fator intimista está presente no filme. Isso também acontece para que exista a camaradagem e momentos de leveza, distração sobre os momentos de tensão, de incertezas. O cenário branco, com algumas montanhas aparecendo ao fundo, são personagens fundamentais para compreendermos a demora de achá-los e como sucumbiram rapidamente as feridas e outras situações.

Bayona traz uma sensibilidade absurda para a narrativa. É fascinante assistir ao que se está em cena, a imensidão branca e performances cativantes que representam os vários níveis emocionais daqueles que estavam no avião.

No fim, A Sociedade da Neve é um estudo sobre a humanidade, com um evento real como cenário. A sobrevivência é fundamental, o retorno para casa necessário e uma busca por perdões silenciosa – mas estrondosa com ações reconhecíveis e comunitárias. Uma excelência narrativa em uma catástrofe que ainda é passível de ensinamentos.

A Sociedade da Neve estreia em 4 de janeiro no catálogo da Netflix.

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