Críticas | Amor, Sublime Amor

Nova versão do musical com letras de Stephen Sodenheim está disponível pelo Disney+.

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Steven Spielberg dirigiu o musical. (Foto: Reprodução)

Musicais não são estranhos as histórias de amor. Em Wicked (que ganhará filme dirigido por Jon M. Chu em 2023), por exemplo, a história de amizade, o amor fraternal, entre Glinda e Elphaba, é o grande trunfo, enquanto o affair entre Jenna e Jim em Waitress mostra um lado fugitivo, querendo encontrar a felicidade enquanto se livram da própria infelicidade nos respectivos casamentos.

Em Amor, Sublime Amor (West Side Story, no título original), é uma versão sobre Romeo e Julieta, um dos trabalhos mais populares de William Shakespeare. Ao invés de lidar com duas famílias em uma briga, o musical (com letras do lendário Stephen Sondheim, falecido em 2022) traz os confrontos entre duas gangues das ruas do lado oeste de Nova Iorque, em 1957.

De um lado, encontramos os Jets. Liderados por Riff (Mike Faist), a gangue quer tomar as ruas do local ocupado por imigrantes latinos-americanos (principalmente porto-riquenhos). Do outro, vemos os Sharks sendo liderados por Bernardo (David Alvarez), imigrante que chegou à cidade cinco anos antes dos eventos do musical.

Em um baile dentro de um ginásio dentro de uma escola local, realizado na tentativa de socialização entre ambos os lados, Maria (Rachel Zegler), irmã mais nova de Bernardo, está encanta com as possibilidades e, sem querer, encontra Tony (Ansel Elgort), parte dos Jets que passou um ano preso e está tentando se livrar se seu passado. E, em pouco mais de 24 horas, a história de amor entre eles se desenrola — tão trágica quanto a obra em que é inspirada.

A nova versão de Amor, Sublime Amor, dirigida por Steven Spielberg, é um grande divertimento colorido. Cenas como “America” (meu momento favorito de qualquer versão do musical) e “Cool” explora todo o cenário, mostrando uma vivacidade possibilitada pela época em que foi gravado. Diferente da versão de 1961, que tentou fazer uma coisa mais próxima dos palcos, a apreciação do ambiente é brilhante.

Apesar de Zegler ser uma Maria encantadora, o destaque principal é dos coadjuvantes. Ariana DeBose brilha como Anita e, em cenas como “A Boy Like That” mostra como sua presença é magnética. Faist (conhecido por participação de Dear Evan Hansen, na Broadway, e Newsies) também é um agrado dentro do elenco, com uma atuação perfeitamente equilibrada do líder dos Jets.

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O filme também mostra como continua contemporâneo. Mesmo ambientado no fim da década de 1950, Amor, Sublime Amor mostra como muitos estadunidenses — em sua maioria, brancos — se incomodam com as imigrações, mesmo vendendo o “sonho americano” e a “liberdade”. O discurso de Anita para os Jets na loja comandada por Valentina (Rita Moreno) é algo facilmente que poderia acontecer atualmente, mostrando a hipocrisia deles (além da misoginia que fazem questão de expôr). Além disso, ter um personagem transgênero constrói um diálogo próximo ao que estamos conversando.

No fim, a versão de Spielberg mostra um avanço aos tratamentos de musicais no cinema. Amor, Sublime Amor consegue trazer o ritmo, a efervescência dos palcos para a tela, enquanto conta a uma história de amor eternamente trágica e com mensagens que continuam atuais (o que é triste, no mínimo).

Amor, Sublime Amor está disponível desde 2 de março no catálogo do Disney+. O filme estreou em dezembro nos cinemas brasileiros.

  • Ana Guedes

    Adoradora de spoilers e informações desnecessárias.

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