Críticas | Manual Prático da Vingança Lucrativa
“Manual Prático da Vingança Lucrativa” estreia em 26 de fevereiro nos cinemas brasileiros.

A exploração da vida da alta sociedade é sempre interessante de se notar no audiovisual, principalmente quando existem outros elementos – ainda mais se são exploradas questões de nepotismo e heranças. Assistimos isso em Succession (2018-2023), nessa busca pela sucessão, e até mesmo em forma de sátira como The White Lotus.
Escrito e dirigido por John Patton Ford, Manual Prático da Vingança Lucrativa (How to Make a Killing, no título original) é centrado em um homem (vivido por Glen Powell) que busca eliminar os parentes que estão no seu caminho para a herança do seu avô – que abandonou a própria filha quando engravidou aos 18 anos.
O longa-metragem é uma sátira sobre os valores morais, nepotismo e uma constante análise sobre a riqueza (e se realmente dinheiro traz felicidade). Inspirado livremente em As Oito Vítimas, de 1949, o filme é divertido nesta questão de descobrir como e quem são aqueles que impedem Becket de chegar ao topo e herdar tudo que um dia já foi prometido à mãe.
Afinal, Becket foi criado para o estilo de vida da alta sociedade e se sente intitulado a cada centavo dessa fortuna. E em cada interação com os familiares (de um primo esnobe, outro coach religioso e até um que acredita ser o próximo artista incompreendido), mergulhamos nas facetas que cria para falar com seus primos distantes. Até mesmo uma ligação genuína com um tio, que acaba elevando-o de vendedor a grande nome de Wall Street.
Além desse relacionamento com familiares, a história de Becket envolve duas personagens. Ao mesmo tempo que constrói uma relação amorosa com Ruth (Jessica Henwick), lida com o retorno de Julia (Margaret Qualley) em sua vida – e uma chantagem que coloca suas ações em cheque. A personagem de Henwick é o contraponto de Powell nessa ligação mais adulta, mas destaque para Qualley, que se delicia com sua personagem manipuladora e paqueradora.
Powell está confortável neste protagonismo novamente. Ele é carismático e fica bem em produções satíricas, em comédias mais mórbidas, como aconteceu em Assassino por Acaso. O ator continua nesta ascensão interessante para ser um dos grandes nomes de Hollywood e carrega muito bem esse peso de estar em quase todas as cenas.
Destaque também para Ed Harris. Em poucas cenas dos 105 minutos, é um brilhantismo cínico e vilanesco que funciona nos momentos de clímax – construído de maneira bagunçada. Mesmo assim, é um deleite assisti-lo nesse papel de patriarca e pronto para fazer seus herdeiros sofrerem mesmo com bilhões disponíveis em conta.
Assim, Manual Prático da Vingança Lucrativa é uma produção divertida que adora estar neste cenário de bizarrices e riquezas. Longe de ser algo perfeito, Ford abraça essa versão atualizada de um enredo e o carisma de Powell – além de Henwick e Qualley. Tem um quê delicioso nesta comédia distorcida para mostrar como tudo gira em torno do dinheiro, mesmo com um caminho bagunçado e cheio de conveniências que nem sempre é crível – mas que não importa no final.
Manual Prático da Vingança Lucrativa estreia em 26 de fevereiro nos cinemas brasileiros.