Críticas | Wicked: Parte II
“Wicked: Parte II” estreia em 20 de novembro nos cinemas brasileiros.

Na definição mais simples, a palavra “fenômeno” significa fato ou acontecimento raro e surpreendente; um prodígio; algo extraordinário. São poucas as vezes que podemos descrever um projeto na TV, no cinema ou nos palcos como tal e precisamos considerar sempre questões de tempo para atribuir a palavra a essas produções.
Wicked é um fenômeno incontestável. Desde suas primeiras apresentações nos palcos da Broadway em 2003, atrai legiões de fãs que desejam presenciar a história das Bruxas de Oz de uma maneira única. E, com as diversas versões para palcos locais (incluindo o Brasil), esse fenômeno cresceu de maneiras absurdas que mostram que histórias são capazes de conectar com audiências globais.
O sucesso estrondoso de Wicked: Parte I nos cinemas ano passado (onde conseguiu se tornar a maior bilheteria mundial de uma adaptação musical) não foi ao acaso. Mesmo com nomes importantes, que são capazes de levar a história a mais pessoas, Jon M. Chu se mostrou um diretor de musicais excelente – e que Em Um Bairro de Nova York não foi lapso na sua construção de levar algo teatral para as telas.
Wicked: Parte II (ou Wicked: For Good, no título em inglês) retorna a história de Elphaba (Cynthia Erivo) e Glinda (Ariana Grande-Butera) e suas transformações nas Bruxas que conhecemos nas histórias sobre Oz. Enquanto Elphaba continua a advogar para salvar os animais e se torna a pessoa mais procurada das terras, Glinda se torna porta-voz do Mágico (Jeff Goldblum) e Madame Morrible (Michelle Yeoh) para “elevar os ânimos” do povo de Oz. Ambas enfrentam as consequências de suas ações e os desafios dessa amizade transformadora.
Erivo continua uma força estrondosa, hipnotizadora nesta segunda parte. Seja no dueto “As Long as You’re Mine” com Jonathan Bailey, ou na imponente “No Good Deed“, a atriz arrebata e não é possível tirar os olhos da tela. E, com a adição da inédita “No Place Like Home” mostra uma vulnerabilidade, uma emoção tão única, à personagem que ganhou camadas ainda mais profundas com sua interpretação.
Grande-Butera mostra, novamente, seu amor pela personagem neste segundo ato. Com a canção “Girl in the Bubble“, é a virada necessária para dar mais dimensão para essa personagem (muitas vezes associada apenas à comédia) – assim como uma breve cena sobre sua infância mostra sua “proteção” e sua criação superficial. Suas cenas com Yeoh também se destacam pelo seu crescimento visual em cena, e com o Mágico canastra de Goldblum (principalmente em “Wonderful“, onde ganha uma versão diferenciada dos palcos) também são diferenciadas e complementares à narrativa estendida.
O elenco de apoio continua fantástico, excepcional. Bailey retorna com um Fiyero mais maduro, e sua transformação é construída com maestria pela equipe envolvida. Ethan Slater mostra uma faceta impressionante com Boq – e implanta maneirismos teatrais incríveis para o personagem. Marissa Bode cresce na trajetória de Nessa e, com a direção de Chu, dá uma nova vida a uma das cenas mais importantes do musical.
Chu, aliás, acerta em não buscar o rosto da atriz que interpreta Dorothy Gale no filme. Afinal, como ele mesmo cita, ela é apenas um peão na história das Bruxas – e, importante lembrar, está próxima do livro de L. Frank Baum e não do filme do Mágico de Oz de 1939.
A construção da trilha sonora de John Powell e Stephen Schwartz (responsável pelas letras e músicas da peça) é encantadora com inserções de canções da primeira parte. É orquestrado de maneira simples, bela e emocionante para quem presta atenção nesses detalhes.
Assim, Wicked: Parte II é a conclusão de uma história que não irá acabar, apenas ganhar uma nova proporção para o público. Erivo e Grande-Butera são uma força magistral nesta segunda parte, e suas personagens ganham novas dimensões para a narrativa tão conhecida. Um espetáculo visual e emocional, a direção e liderança de Chu voam neste magnífico capítulo da história do fenômeno que conquistou milhões de pessoas nos palcos – e um final deslumbrante para homenagear a representação da peça.
Wicked: Parte II estreia em 20 de novembro nos cinemas brasileiros.