Críticas | Todos Nós Desconhecidos

“Todos Nós Desconhecidos” estreia em 7 de março nos cinemas brasileiros.

Todos Nós Desconhecidos
Paul Mescal e Andrew Scott em cena de “Todos Nós Desconhecidos”. (Foto: Reprodução)

A solidão e o luto, por vezes, andam juntos, quase de mãos dadas e arrastando várias pessoas que não conseguem dar vazão as palavras e sentimentos. Tais temas são complexos em suas abordagens, com uma necessidade absurda de serem tratados delicadamente em qualquer obra, para ser ressoado em vários níveis com o público.

Com isso, é imprescindível que as narrativas em produções audiovisuais também sejam comoventes, com elementos metafóricos para que a compreensão seja assimilada (seja de imediato ou conforme o desenrolar do projeto).

Inspirada no livro “Strangers“, escrito por Taichi Yamada e lançado em 1987 no Japão, Todos Nós Desconhecidos (All of Us Strangers, no título original) é um drama com elementos de fantasia para fazer alegorias sobre luto. A trama é centrada em Adam (Andrew Scott), roteirista que vive quase sozinho em um prédio de Londres, com o jovem Harry (Paul Mescal) como seu único vizinho.

Adam guarda como segredo que consegue enxergar e conversar com seus pais, falecidos quando tinha 12 anos, dentro da casa que passou a infância. Durante os 106 minutos de filme, presenciamos o protagonista se abrindo com seus pais, desde comentar sobre sua sexualidade até feridas que não cicatrizaram naquele período. Mas, principalmente, o longa-metragem é sobre como Adam precisa desapegar dos fantasmas dos pais para, finalmente, viver plenamente.

Apesar de ser classificado como um filme de romatasia (romance + fantasia), Todos Nós Desconhecidos pesa mais para o lado dramático, explorando Scott – que está em todas as cenas dos filmes – ao máximo. Seus diálogos com Claire Foy e Jamie Bell destacam a fragilidade da personagem, em como construiu suas relações interpessoais, com uma beleza estonteante desses momentos que se apoiam somente nas palavras trocadas.

O roteiro e a direção de Andrew Haigh são melancólicos, tão belos e interligados que ressoam com camadas profundas, que o cineasta Edgar Wright (Noite Passada no Soho; Baby Driver) se maravilhou a ponto de comentar que apesar dessas notas de tristeza, Haigh foi capaz de deixar o público com um momento de beleza infinita a ser valorizado.

No fim, Todos Nós Desconhecidos é uma história sobre o luto, a solidão e como tais sentimentos podem demorar a cicatrizarem. Ao mesmo tempo, explora o começo de um relacionamento romântico, de abrir possibilidades para o novo, com o roteiro emocional de Haigh. Scott e Mescal possuem uma conexão palpável, capaz de resumir alguns dos momentos mais explosivos do filme, enquanto Foy e Bell conseguem uma entregar uma carga intensa para suas personagens presas em memórias e décadas passadas.

O filme de Haigh entrega o que se propõe logo do início, com uma força em seus diálogos e construções para salientar a melancolia de seu protagonismo para conseguir escrever a história de seus pais, e um final poético que ficará na memória de muitos por sua beleza simples.

Todos Nós Desconhecidos estreia em 7 de março nos cinemas brasileiros.

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