Críticas | Ruim pra Cachorro

“Ruim pra Cachorro” estreia amanhã, 28 de setembro, nos cinemas brasileiros.

Críticas Ruim pra Cachorro
Josh Greenbaum é o diretor de “Ruim pra Cachorro”. (Foto: Reprodução)

Produções com linguagens adultas, que tentam subverter algumas situações infantis, não são incomuns dentro do mundo do entretenimento. Um dos exemplos é Ted (2012), que utiliza um ursinho de pelúcia, símbolo de infância, se adapta à vida adulta de seu “dono”. E, obviamente, atende à linguagem debochada, cheia de palavrões, apela ao público adolescente majoritariamente cis masculino heterossexual – principalmente ao ter Mila Kunis como interesse amoroso.

Ruim pra Cachorro (Strays, no título e inglês) tenta realizar uma conjunção de diálogos de gêneros. Animais falantes, linguagem vulgar e, principalmente, um plano de vingança, alimentam o filme, dirigido por Josh Greenbaum e, com um apelo para uma geração que ainda não tem uma franquia American Pie para chamar de seu.

O longa-metragem é centrado em Reggie, abandonado por seu dono Doug (Will Forte), com a certeza que ele nunca o deixaria de propósito. Ao encontrar Bug, um cachorro que acredita que donos são idiotas, percebe que tinha um relacionamento tóxico com Doug e, ao lado de outros novos amigos, busca sua vingança.

Com dublagem nacional de Wendell Bezerra, Fábio Rabin, Bruna Louise, Wellington Lima, e participação dos 4 Amigos (Thiago Ventura, Márcio Donato, Dihh Lopes e Afonso Padilha), o roteiro vulgar não ajuda a contar a história – apenas mostra a insalubridade que deve ter sido para os atores caninos participar de tal projeto. A fofura dos animais, e talvez a mensagem que por mais próxima que seja a relação entre cachorros e humanidade, é necessário ver que, às vezes, existe toxicidade nesse relacionamento.

E a verdade é que, se o filme tivesse sido lançado há alguns anos, seria fácil entender a fascinação pela aprovação do projeto. Entretanto, os anos recentes mostram que existe uma linha bem tênue entre o crasso que faz sentido se estabelecer como tal, e o crasso apenas na tentativa de “ser para jovens”. Palavrões não são problemáticos, mas o uso apenas para efeito de gargalhadas deixa de ter graça em poucos segundos.

No fim, Ruim pra Cachorro não sabe utilizar nem o fator de que Doug ser um péssimo dono, um péssimo ser humano, como fagulha para o enredo acontecer e ter o público ao lado. Em 93 minutos, ficará apenas lembrado por palavrões, piadas sobre partes íntimas e momentos constrangedores em uma produção de 2023.

Ruim pra Cachorro estreia amanhã, 28 de setembro, nos cinemas brasileiros.

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