Elisabeth Moss continua a mostrar sua força em atuações.

Segunda temporada do drama da Hulu quase relata a atualidade e não um momento distópico da humanidade.

Elisabeth Moss continua a mostrar sua força em atuações.
Elisabeth Moss continua a mostrar sua força em atuações.

Depois de ganhar o Emmy de Melhor Série Dramática em 2017, The Handmaid’s Tale sabia que precisaria entregar uma segunda temporada grande. Com 13 episódios ao invés de 10, o drama distópico da Hulu se aproximou demais de entregar algo totalmente frustante ao telespectador.

Não há nenhuma dúvida que a estrutura da série continua ótima. O distópico cada vez mais atual tem um grande efeito nas 13 horas. Ver June (Elisabeth Moss) entre quase conseguir fugir, voltar para a casa do Waterford e viver embates eternos com Serena Joy (Yvonne Strahovski), se tornou repetitiva e quase um desespero dos roteiristas de fazer Elisabeth ganhar novamente na categoria de Melhor Atriz por uma série dramática – não há nada errado com isso, mas às vezes a frustração pela jornada de June elevou mais que o sofrimento da personagem.

O relacionamento entre June e Nick não é algo positivo. De forma consciente ou não, todos os personagens homens da série são detestáveis em algum nível. Nick, por clamar amar June, deixa sua esposa (uma jovem de apenas 15 anos que não conhece outra realidade e só faz o que foi ensinada) de lado e não importa nem em conversar com ela. A garota Eden (Sydney Sweeney) é bom destaque no final da temporada ao questionar o que lhe foi ensinado.

Yvonne é, com certeza, o grande destaque da temporada. Mostrar o passado da personagem que ajudou a construir Gilead e perceber que ela não se sente mais confortável em sua posição perante à sociedade, é magnífico. Seu balanço entre a maternidade e suas crenças políticas é interessante e conquista uma certa empatia.

Emily (Alexis Bledel) e Janine ganham destaque após o nono – e esplendoroso – episódio. Banidas para as Colônias, onde as mulheres recolhem lixo nuclear e deixadas para morrer, as duas formam uma aliança de proteção improvável. Enquanto uma fica na ciência a outra na fé. O retorno para Gilead após a aia-bomba no novo prêmio dos Comandantes é significativo para ambas. Janine pode reencontrar a filha e até salvá-la da morte, e Emily é colocada de casa em casa até encontrar Lawrence – que depois descobrimos conhecer bastante dela e ser o responsável pelas Colônias.

Um ponto negativo é a fúria de Emily. Apesar de ser compreensivo, a raiva instaurada na personagem a consome por inteiro e a faz atacar Lydia (Ann Dowd) de forma para apenas justificar sua saída de Gilead no final do segundo ano.

As 20 indicações ao Emmy não foram em vão. Só nas categorias de atuação, The Handmaid’s Tale levou oito nomeações e estão todas corretas de estarem lá. O grande problema desta temporada, porém, foi estar muito próximo da realidade (questão de refugiados, as crianças serem afastadas de pais…). Mais que isso, o drama até exagerou em situações para criticar os acontecimentos e fazer algumas pessoas terem os estômagos revirados.

Há um problema também de não ter a base literária de Margaret Atwood. Isso deixou um espaço muito aberto para a mitologia e se perder algumas vezes. Também há o problema dos 13 episódios, sendo que 10 faria o trabalho muito melhor e encurtar algumas histórias que ficaram dedicadas a um episódio.

No geral, a segunda temporada de The Handmaid’s Tale não é ruim, apenas muito próxima do que conhecemos e, de certa forma, quebra um pouco do desejado por um telespectador que busca um refúgio da realidade.

 

 

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