Resenhas | Girls – 5ª temporada

A volta dos bons episódios de Girls.

O quinto ano é o grande momento da série. Soube dar destaque a todos os personagens, mesmo que a protagonista ainda roube muito tempo.

O quinto ano é o grande momento da série. Soube dar destaque a todos os personagens, mesmo que a protagonista ainda roube muito tempo.

Há um ano, eu estaria desacreditada que Girls poderia trazer aquela sensação de novidade que trouxe no seu primeiro ano. Estava enganada. Neste quinto ano, Lena Dunham conseguiu aprimorar e intensificar as quatro amigas.

Começando com Shoshana, Zosia Mamet faz um trabalho maravilhoso sempre que aparece. O episódio focado na personagem (Tokyo) conseguiu elevar as “esquisitices” ao máximo. Perceber que Shoshana encontrou seu lugar no mundo e percebeu que aquilo era o que gostava, vai ao contrário que aconteceu todas as temporadas passadas. A viagem para o Japão assustou no fim da quarta temporada, mas foi acertada e bem colocada em toda a temática.

Outro destaque foi Marnie, interpretada por Alisson Williams. A temporada começou com o seu casamento com Desi (Ebon Moss-Bachrach) e explorou o quão frágil era o relacionamento deles. O crescimento da personagem também é visível quando percebe (em um dos melhores episódios da temporada, “The Panic in Central Park”) que o romance sempre esteve fadado ao fracasso e que apenas a carreira musical daria certo. Os episódios que esteve sozinha, foi para trazer esse aspecto que ela ela é egoísta e sempre precisou de alguém para estar perto dela. Trazer Charlie de volta foi algo incrível para ver o quanto oposto as pessoas podem ir.

Jessa (Jemima Kirke) e Adam (Adam Driver) são os personagem mais auto-destrutivos já vistos na série. E colocados juntos, tornam-se uma bomba relógio que em qualquer momento explodem. A resistência dos dois, em respeito a Hannah, para não ficarem juntos foi interessante e, após descobrirem que não poderiam tirar o sentimento, formaram o casal mais destrutivo e imaturo (de uma maneira ótima que só Girls seria capaz de fazer). A forma como lidaram com a “saída” de Hannah da vida deles nos últimos episódios e culminou em uma das cenas mais incríveis da temporada, foi algo que precisa aplaudir.

Antes de falar sobre a protagonista, Elijah (Andrew Rannels) e Ray (Alex Ploshansky) tiveram bons momentos. O primeiro teve ótimos momentos sobre o relacionamento com Dill (Corey Stoll) e soube que não consegue levar uma vida que acreditava, o segundo teve que lidar com o café da frente e trazer novas ideias para o próprio negócio.

Os pais de Hannah também foram incríveis nesta temporada. Loreen (Becky Ann Baker) e Tad (Peter Scolari) precisaram lidar com o fato de estarem casados mesmo Tad sendo gay e ter alguns encontros. O episódio em que Loreen e Hannah vão para um retiro por um fim de semana traz as confirmações que soubemos sempre, mas os roteiristas trouxeram a emoção correta para o momento mãe e filha.

Hannah Horvath nunca foi uma pessoa fácil. Egoísta, explosiva e que sempre dependeu da aprovação dos outros, passou os últimos quatro anos dependente de Adam. Mudou quando conheceu Fran (Jake Lacy) o colega de escola que era gentil, fofo e, aparentemente, sem defeitos. O problema do relacionamento dos dois (incrivelmente construído nesta temporada) sempre foi que Hannah é destrutiva e não aguenta críticas. Acreditou que ir dar aulas seria a melhor saída e tentou manter em relacionamentos saudáveis para crescer, porém, falha miseravelmente.

Fran não é um cara legal, como ela mesma diz. Ele é o pior tipo, pois esconde. Ele não aceita como ela corrige as provas dos alunos, não aceita que ela mostre sua vagina para o diretor da escola em uma reunião (ela entendeu que passou dos limites depois). Hannah passa boa parte da temporada querendo fugir desse relacionamento, incluindo um breve romance com a instrutura de yoga do retiro, para saber o que poderia fazer ela desistir.

Ao mesmo tempo, ela precisa lidar com as próprias amizades saindo do controle. Ela não aceita o casamento da Marnie, acha incorreta a forma que Jessa enquanto precisa estudar, não aceita que Adam e Jessa viram um casal. Ela precisa ser o centro das atenções de todos. Entretanto, os dois últimos episódios (Love Stories e I Love You Baby) trazem a vulnerabilidade da Hannah em lidar com problemas. No último episódio, enquanto está na frente de dezenas de pessoas falando sobre sua vida e no começo e fim em sua corrida, mostra o quanto cresceu e soube lidar com os problemas, apesar de ser egoísta, necessitada de atenção e com sérios problemas emocionais.

O quinto ano é o grande momento da série. Soube dar destaque a todos os personagens, mesmo que a protagonista ainda roube muito tempo. Com o fim próximo (a sexta temporada será a última), a equipe liderada por Lena Dunham e Judd Apatow trouxeram o que foi necessário para o crescimento de toda a série. Girls tornou-se relevante novamente para aqueles que acompanham a série e para bons apreciadores de histórias.

 

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