Opinião | ‘Mrs. America’ e 2020

Minissérie retrata a segunda onda do feminismo nos EUA.

    Cate Blanchett protagonisa minissérie da FX. (Foto: Reprodução)

    Chega a ser frustrante o quanto Mrs. America ainda reflete a realidade atual. Ambientada na década de 1970, a minissérie da FX dialoga com tópicos ainda presentes neste século.

    Explorando a segunda onda do feminismo e a luta pelo Equal Rights Amendment (ERA), Mrs. America mostra como ainda caminhamos em passos pequenos para atingir o mínimo de equidade entre os gêneros. Em 50 anos que a proposta foi enviada, apenas este ano 38 estados ratificaram a emenda (mas o Senado, com a maioria dos assentos Republicanos, não deseja abrir espaço para formalizar).

    Talvez o destaque de Mrs America é mostrar as facetas, conservadoras e progressistas, das peças principais da conversa. Cada capítulo explora ideias, fracassos, para que o público entenda como a história foi feita.

    Phyllis Schlafler (1924 – 2016), interpretada por Cate Blanchett, é o principal nome da ala contra a emenda constitucional. Construída – e vítima – no sistema patriarcal, defende valores enraizados, não percebendo que o movimento feminista é a razão pela qual consegue realizar algumas ações. Além disso, se concentra em criar narrativas falsas para diminuir ERA.

    Do outro lado, temos mulheres que criaram revistas (Gloria Steinem, vivida por Rose Byrne), a primeira mulher negra a ser candidata à Presidência pelo Partido Democrata (Shirley Chisholm, interpretada por Uzo Adubo); e outras mulheres que mudaram o cenário político estadunidense e buscaram ratificar a ERA através de formas de diálogo.

    As lutas dessas mulheres abrange trajetórias e conversas além do programado. Quando uma escritora negra fala sobre tokens, muitas ao seu redor se sentem ameaçadas – e até mesmo abaladas com a informação. Até mesmo relações raciais são exploradas, mostrando atos corriqueiros que mostram a estrutura apresentada desde as colonizações.

    Mrs. America consegue elevar a discussão sobre as Eras Feministas, mostrando como não arranhamos a superfície das lutas. Essa talvez seja a parte que mais assusta em relação a 2020.

    A produção do FX joga como estamos longe de qualquer ação para que todos sejam realmente iguais perante a lei. Mulheres, a comunidade negra, a comunidade LGBTQIA+, e qualquer outra que busca o mínimo do Estado, ainda precisa enfrentar obstáculos inseridos propositalmente para que falhemos.

    Talvez seja utópico buscar equidade em um mundo fundado por capitalismo e politicagem pejorativa. Mrs. America pincela somente parte de uma década, parte de um movimento para enfrentar um sistema (quase) inquebrável, e alimenta uma chama para clamar por mudanças imediatas e necessárias para futuras gerações.

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