Opinião | A Mudança que precisa acontecer no Emmy

O 72º Emmy Awards acontece em 20 de setembro.

    Em algumas semanas, conheceremos os grandes vencedores da 72ª edição do Emmy Awards. Como todos os anos, há questionamentos sobre esnobados, e que poderia substituir algum dos indicados e, principalmente, a falta de representatividade dentro da Acadêmia.

    A falta de representatividade além de pontualidades, é questionada nas categorias principais, sabendo que o lobby realizado não é pouco entre algumas produções. E o Emmy precisa encarar que talvez seus discursos sobre mudanças não impactam como deveria.

    Segundo a própria organização, são quase 23 mil votantes – e a mudança precisa começar por este espaço. É inegável que as minorias finalmente alcançaram algo dentro da principal premiação da TV mundial, mas são passos minúsculos. Entretanto, não revelar em números a representatividade dos votantes, abre espaço para que sejam aflorados os ânimos e suas intenções de mostrar hipocrisia dentro da própria comunidade.

    Há cinco anos, quando Viola Davis ganhou como Melhor Atriz – Drama, todos aplaudiram seu discurso sobre oportunidade, e ele pode ser aplicado às diversas minorias hoje. As comunidades latinas, asiáticas, transgêneros, e indígenas são apenas algumas delas.

    Veja em números: de acordo com o estudo realizado anualmente pela FX, foram 532 produções realizadas em 2019 nos EUA (excluindo programas infantis, realities e novelas. Caso tais atrações sejam somadas, ultrapassa mil produções). O estudo da GLAAD mostrou, por exemplo, que apenas 10,2% dos seriados possuem um personagem regular que se identifica como LGBTQI+.

    Com o avanço das mídias sociais, precismos reconhecer que desejamos nos ver em tela, de ter histórias compartilhadas. Quando produções de grandes plataformas, como Netflix ou HBO – que juntas somam mais de 200 indicações ao Emmy este ano -, trazem tais histórias, percebemos que não somos invisíveis, que não somos apenas personagens de fundo ou tokens para o protagonista.

    Além de estarem em tela, as minorias também precisam estar no processo. Desde assistentes em departamentos, até na cadeira de diretores – e não é ter apenas um para falar que é “inclusivo”.

    Os casos não são exclusivos do mercado estadunidense. Reino Unido, Brasil e outros lugares também trazem poucas – para não dizer quase nenhuma – histórias que refletem sua população. Precismos melhorar além do exterior, procurando levantar bandeiras e expôr narrativas pouco exploradas, mas que impactam o que conhecemos.

    É importante que esses enredos (ainda, muitas vezes, considerados “polêmicos”) sejam valorizados, que conversas sejam iniciadas. E celebrá-los, com indicações em premiações como Emmy, são apenas a cereja do bolo, mostrando que estão sendo ouvidas.

    Talvez, em 2021, essa conversa finalmente mude e poderemos somente avaliar as escolhas na totalidade, e não buscar agulhas em palheiros a representatividade que a Academia diz ter em suas escolhas.

    Deixe seu comentário

    Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

    %d blogueiros gostam disto: