Opinião | A importância de ‘I May Destroy You’

“I May Destroy You” é coprodução entre BBC e HBO.

    Michaela Coel criou a série baseada em suas experiências. (Foto: Divulgação)

    Não há dúvidas sobre a importância de I May Destroy You. Seja para mostrar o quanto somos vulneráveis – e as diversas formas de violência sexuais que podemos sofrer -, ou para exaltar a cultura da sua descendência, a coprodução da HBO e da BBC se destaca por ir além disso.

    Baseada na violência que Michaela Coel sofreu durante Chewing Gum, I May Destroy You se pauta para ajudar a caminhar após o abuso, encontrando aqueles que podem te abraçar. A atração também aborda como não reconhecemos abusos, e como nos culpamos por situações afins.

    Assistir à série é desconfortante. I May Destroy You chega com tapas no estômago, mostrando como as violências são corriqueiras, atos simples (e que muitos acreditam que não ferem). A narrativa apresenta esses momentos, como somos suscetíveis a esconder para não precisar reviver os abusos – e, principalmente, como muitos ignoram os relatos.

    Com o uso das mídias sociais – e a ingressão de podcasts em nossa rotina -, entendemos melhor sobre essas agressões. Antes, nós apenas ignorávamos. Agora, temos a voz para gritar e apontar o que sofremos. Estamos diante da mudança, elevando o tom da conversa e assegurar nossos corpos.

    É necessário enxergar I May Destroy You além de um produto audiovisual. As histórias contadas são similares ao que muitas pessoas vivem diariamente. Seja na época escolar, seja na vida adulta, a criação de Michaela Coel apenas destaca algo que conhecemos e sujeitados como “normal”.

    O final, que muitos podem julgar como divergente, mostra um processo de cura. Óbvio que muitos não concordam – e tem razão para isso -, mas é algo pessoal, íntimo, que só precisa ser apreciado.

    I May Destroy You se torna excruciante por ser verdadeira, por ser algo tão relevante que chega a machucar. E essa dor talvez seja a melhor maneira de falar sobre isso.

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