Críticas | Rio de Sangue

Dirigido por Gustavo Bonafé, “Rio de Sangue” estreia em 16 de abril nos cinemas.

Crítica | Rio De Sangue
Giovanna Antonelli e Alice Wegmann são as protagonistas do filme. (Foto: Reprodução)

Utilizar a natureza como parte de um longa-metragem é um trabalho árduo, ainda mais quando lidamos com o gênero de ação. Quando inserimos uma narrativa de thriller e de denúncia, podemos colocá-la no protagonismo de todo o enredo – mesmo que este não seja o principal objetivo.

Em Rio de Sangue, acompanhamos Patrícia Trindade (Givanna Antonelli), uma policial que, após uma operação a coloca em risco, segue para Santarém, no Pará, para encontrar a filha Luiza (Alice Wegmann), médica que atua ao lado de uma ONG, passar um período isolada. Porém, a filha parte em uma missão humanitária para um comunidade indígena que a coloca frente a frente com garimpeiros e acaba sequestrada. Assim, Patrícia decide resgatar a filha das mãos dos criminosos.

Dirigido por Gustavo Bonafé, o filme funciona muito melhor quando lida com esse lado de ação – mesmo que fique no problema comum de tiroteiros infinitos. Por mais que Wegmann e Antonelli sejam excelentes, o drama não consegue atingir o ápice por termos poucos momentos envolvendo as duas dividindo a cena.

Os momentos dramáticos são apressados, com o principal conflito entre as personagens sendo a maneira como enxergam a carreira da outra (e em lados quase opostos) – mas resolvido com uma frase simples, instigada pela proteção materna (que é louvável e bem direcionada naquele momento). Entretanto, é taxante e destoa dos pontos positivos envolvendo o enredo de denúncia, mesmo que estejam conectados.

Destaque para o núcleo de garimpeiros, liderados por Antônio Calloni e Felipe Simas. Interpretando tio e sobrinho – que deseja assumir a posição de chefe -, a relação dos dois é o que carrega a narrativa desse núcleo e vira a cerne do que conhecemos.

Por mais compreensível, a narração de Mário (Fidelis Baniwa) é ruim para o desenvolvimento da trama. O personagem é um catalisador, aquele que parece flutuar entre o antagonismo e o protagonismo, mas que possui o próprio caminho na história. Sua narração, voltada para falar sobre a Floresta, sobre a doença que é garimpo ilegal, se torna desnecessária, repetitiva.

O cenário amazônico sempre impressiona. A Amazônia é personagem central, com a exploração, a corrupção envolvendo as personagens e que mostra, quase de forma clautofóbica, essa dimensão. A utilização de todos os espaços marítimos, aéreos e, principalmente, terrestres, fazem parte de um dos triunfos desta narrativa.

Assim, Rio de Sangue é um filme que busca envolver o emocional, com o suspense e a corrida contra o tempo como fatores principais da história. Antonelli é uma força que sustenta toda a narrativa, com presença e uma fachada impenetrável, enquanto Wegmann é a catalisadora de todos os acontecimentos. O longa-metragem é uma conversa, também, sobre conservadorismo ambiental, a maneira como se é tratado o garimpo e como a corrupção parece ser intrínseca neste ambiente.

Rio de Sangue estreia em 16 de abril nos cinemas.

Nota: