Críticas | O Testamento de Ann Lee
“O Testamento de Ann Lee” estreia em 12 de março nos cinemas brasileiros.

A história de líderes reliogosos sempre serão retratadas. Sejam aqueles conhecidos mundialmente ou aqueles mais locais, as narrativas permitem relatos próximos – ou até mesmo fantasiosos – envolvem personalidades capazes de levar multidões (para o bem ou mal).
Um desses movimentos locais é o Shakers – que acreditavam que o movimento de sacudir era capaz de libertar pecados do corpo durante o Avivamento Evangélico no Reino Unido. Naquele momentos, poucas mulheres eram vistas (e aceitas) como líderes religiosas, mas o surgimento de uma delas impactou grandemente o que era conhecido.
Em O Testamento de Ann Lee (The Testament of Ann Lee), acompanhamos a história real da fundadora dos Shakers, comunidade cristã celibatária que se estabeleceu nos EUA no século XVIII. Ann Lee (Amanda Seyfried) foi proclamada por seus seguidores como a representação feminina de Deus.
Dirigido por Mona Fastvold (que escreveu o roteiro ao lado de Brady Corbet), o filme explora um longo período da vida da protagonista. Desde da infância em Manchester, na Inglaterra, o início de sua pregação, o casamento conturbado (com um marido adepto ao sadomasoquismo, por exemplo), até os momentos brutais que se seguiram após se estabelecer em Nova York.
O roteiro e sua narrativa se destacam em mostrar de forma fervorosa a trajetória dessa líder – cuja comunidade, hoje, está em seus últimos momentos. O filme ainda destaca, ao longo dos 137 minutos, um estudo sobre fé (e a capacidade de se tornar inabalável) e como ela se estebelce em momentos críticos – como o luto.
As cenas de adoração, que se utilizam muito da dança, são de pura catarse. Magnéticas, são uma exploração do sentimento da perda constante de Ann. E isso é somente possível pelo brilhantismo de Seyfried, arrebatora nos momentos cruciais envolvendo a personagem. A atriz é capaz de emular toda essa devoção, compaixão (quase passiva-agressiva) e uma energia transcendental em tela.
Talvez os momentos mais preciosos envolvem Ann e o irmão William (Lewis Pullman). Ambos se tornam âncoras um do outro e assumem uma posição complicada com a sobrinha Nancy (Viola Prettejohn). Outro detaque é com Mary (Thomasin McKenzie), sua seguidora mais leal e a maneira como se torna a peça central da história desde o início.
Assim, O Testamento de Ann Lee é uma produção que busca o épico através da dança e de um movimento, no mínimo, singular. Seyfried está em um momento brilhante da carreira, e explora as emoções de forma meticulosa, divina. Aqui, não é necessário transformar Ann Lee em líder religosa, quase de uma seita, mas contar sua história de maneira que conecte com a audiência e perceber que ela foi revolucionária para o século XVIII – incluindo por se manter neutra durante a Revolução Americana.
O Testamento de Ann Lee estreia em 12 de março nos cinemas brasileiros.