Críticas | Devoradores de Estrelas
“Devoradores de Estrelas” estreia em 19 de março nos cinemas brasileiros.

Neste século XXI, o cinema está com produções constantes envolvendo o espaço, conexões com possíveis vidas alienígenas e a sobrevivência em meio a solidão. Exemplos disso, estão Interestelar (2014), Gravidade (2013) e o brilhante A Chegada (2016).
Baseado no livro homônimo de Andy Weir, Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary) acompanha um Ryland Grace (Ryan Gosling), que acorda em uma nave interestelar, sem memórias sobre quem é, e com a missão de descobrir a razão do Sol estar morrendo e a possível extinção do planeta. Enquanto se redescobre, é surpreendido com uma amizade improvável no que parecia ser uma viagem solitária.
Sob direção de Phil Lord e Christopher Miller, e com um roteiro de Drew Goddard (que escreveu o roteiro de Perdido em Marte, de 2015, também inspirado em uma obra de Weir), o longa-metragem consegue implementar diversas ideias de maneira impressionante. Ao longo dos 156 minutos, conseguimos mergulhar em momentos de ficção científica espacial, dramas e uma ternura admirável.
Gosling está em um ótimo momento da carreira. Ele consegue sustentar esse projeto quase inteiramente solitário, com uma ligação belíssima envolvendo Rocky. É necessário exaltar, também, o trabalho de marionetista e de desenho de produção envolvendo o alienígena. São detalhes como estes que se destacam nessa história envolvente.
Ao lado, principalmente, de Sandra Hüller (Anatomia de uma Queda; Zona de Interesse), Gosling também promove uma narrativa sobre o lugar de seu personagem na missão. A atriz alemã interpreta Eva Stratt, a liderança do Projeto Fim do Mundo, e, mesmo com algo robótico (talvez pela pressão envolvendo toda a operação global), ela se conecta com Grace e mostra emoções conforme a sua casca é quebrada.
Os visuais do longa-metragem deixam qualquer um estupefato. A criação do espaço e tudo que compõe esse cenário, impressionam pela grandiosidade. Audaciosos, possui um faro para fazer ideias já utilizadas em algo que, no mínimo, encanta por serem familiares, reconfortantes, para a audiência. Parte disso envolve a obra de Weir e como explora temáticas científicas complicas de maneira palatável para uma narrativa.
Assim, Devoradores de Estrelas é um projeto ambicioso de Lord e Miller, com ótimas sequências que invocam o épico nessa “reciclagem” de grandes projetos envolvendo o espaço. Na sua raiz, é um filme que busca emocionar com temáticas simples, enquanto lida com termos complicados (porém, cabíveis) da ciência em um possível futuro, dentro de um longa-metragem blockbuster extenso.
Devoradores de Estrelas estreia em 19 de março nos cinemas brasileiros.
