Críticas | A Noiva!

Dirigido por Maggie Gyllenhaal, “A Noiva!” estreia em 5 de março nos cinemas brasileiros.

Críticas | a Noiva!
Jessie Buckley é a protagonista do filme. (foto: Reprodução)

A obra sobre o monstro de Frankenstein vem ganhando destaque recentemente. Guillermo del Toro trouxe sua versão em novembro de 2025 (e recentemente nomeada para nove estatuetas do Oscar), e outros mais de 400 trabalhos já foram realizados sobre o trabalho do cientista maluco.

Introduzida por Mary Shelley no livro Frankenstein, ou o Prometeu Moderno, de 1818, a noiva ganhou uma primeira versão no audiovisual no famoso filme de 1935 e, posteriormente, em 1965 e 1994 (vivida por Helena Bonham Carter). Agora, chegou uma versão moderna de um conto tão conhecido e com inserções esporádicas no audiovisual como um todo.

Dirigido e escrito por Maggie Gyllenhaal, A Noiva! (The Bride!, no título em inglês) é ambientado na década de 1930, na cidade de Chicago. Um Frankenstein (Christian Bale) chega à cidade e busca a Dr. Euphronious (Annette Benning) para criar uma companheira para ele. Juntos, revivem uma mulher assassinada (Jessie Buckley) e, assim, a personagem-título é criada. Mas o enredo vai muito além dessa sinopse.

Com elementos fascinantes, o filme é uma história sobre revoluções femininas, a conquista da independência e identidade. Buckley é hipnotizadora em cena com suas diversas personagens (algo tão surpreendente nos primeiros momentos do longa-metragem, que merece aplausos). A criatura de Bale é mais ferida que outras versões recentes, menos inocente, mas a adoração por Ronnie Reed (Jake Gyllenhaal) é um ótimo condutor para a história. É interessante a justaposição entre eles e suas próprias caminhadas, certificando-se de que estão em momentos quase opostos de suas jornadas.

Destaque para Penélope Cruz e sua detetive cheia de intuições – e ótima troca de diálogos com Peter Saarsgard. O desenrolar da narrativa envolvendo suas personagens, com Buckley e Bale em uma pegada Bonnie e Clyde fenomenal que incendeia a história e faz cada detalhe saltar em tela.

Gyllenhaal dedica os 126 minutos a uma mistura exuberante de gêneros do cinema. Seja o amor à história de Mary Shelley, aos musicais (com destaque a empregar o irmão e Bale na maioria dessas cenas) e um noir contemporâneo, a diretora se permite explorar em uma metalinguagem intensa e com maestria.

Assim, A Noiva! é um mergulho sobre autonomia, sobre esse empoderamento na década de 1930 – com subenredos que promovem certo debate nessa mistura envolvendo ficção científica, momentos musicais e noir. Gyllenhaal se deixa permitir explorar essa narrativa com Buckley inspirada, magnética desde os primeiros segundos em tela, com Bale em uma versão mais sofrida, vivida da criatura de Frankenstein. O filme se delicia em explorar tudo e mais um pouco neste conto feminino sobre a própria identidade.

A Noiva! estreia em 5 de março nos cinemas brasileiros.

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