Críticas | O Morro dos Ventos Uivantes

“O Morro dos Ventos Uivantes” estreia em 12 de fevereiro nos cinemas brasileiros.

Críticas | O Morro Dos Ventos Uivantes
Margot Robbie e Jacob Elordi são os protagonistas do filme. (Foto: Reprodução)

Adaptações de obras centenárias, consideradas clássicas, sempre serão polarizadas. Seja pela forma como alguns cineastas buscam adaptá-la ou como enxergam a modernização dos livros, as adaptações contemporâneas vivem em uma linha tênue entre a aclamação e o desprezo.

Em O Morro dos Ventos Uivantes, acompanhamos a história de amor, obsessão e vingança de Cathy (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi). Baseado no único livro de Emily Brontë, o filme explora somente uma parte do enredo – deixando de lado a extensão completa da história dos Earshaws e Linton.

Apesar de cenários belíssimos, com uma fotografia e figurinos capazes de conta a história mesmo sem palavras, é inegável que Emerald Fennell possui uma visão muito forte sobre seu projetos – e nem sempre transcende para a tela. Nessa sua reinterpretação mais ousada, conflitante, da história de Brontë, falta algo mais potente neste romance trágico a la Romeu e Julieta. Mesmo recheado de elementos de romances, não é capaz de exaltar esse gênero literário.

O enredo se concentra no que seria a primeira parte do livro de Brontë, com mudanças que contornam essa visão de Fennell. E, desde o início, é mostrado como a relação entre os protagonistas é, no mínimo, conturbada e manipulável – afinal, por mais que Heathcliff seja “da família”, ainda é um empregado e Cathy exerce uma posição de poder por ser a filha do dono da casa.

Robbie consegue acessar as emoções de Cathy facilmente. Apesar do fascínio de Fennell por personagens femininas egocêntricas, dissimuladas, ainda é possível pensar no privilégio (ou nesta ideia) que Cathy se apegou para determinar suas ações. Já Elordi parece faltar maturidade (ou um direcionamento questionável da diretora), com um Heathcliff sem personalidade, apenas em uma obsessão que resulta em situações constrangedoras.

É inegável que são duas pessoas intoxicantes, codependentes um do outro – e não sabem lidar com sentimentos que são uma avalanche. Ambos se sentem no poder do que o outro pode (ou deve fazer), buscando o controle da situação.

As outras personagens são apenas peões nesse jogo de manipulações envolvendo Cathy e Heathcliff. Fennell tenta fazer de Nelly (Hong Chau) a grande manipuladora da situação (como é indicado no livro), mas só faz dela rancorosa e também cheia de caprichos. Isabella (Alison Olver) é obcecada, com manias que beiram à loucura, enquanto Edgar (Shazad Latif) se transforma de sonso a impositor ao longo dos 136 minutos.

Assim, O Morro dos Ventos Uivantes é uma tentativa válida de adaptação, mas que perde seu próprio caminho em inserções constrangedoras envolvendo seus protagonistas. Por mais estonteante que seja em seu design de produção e figurinos, é um capricho conturbado de Fennell e não uma narrativa precisa e “atualizada” de uma obra de 1847. A diretora continua nesta saga de “chocar”, com narrativas que colocam, muitos vezes, personagens femininas como manipuladoras, invejosas, incapazes de receber afeto – em uma série de escolhas incoerentes com os temas que busca abordar. Entre os acertos desta versão, está Robbie e uma trilha sonora que complementa o cenário, mas pouco é exaltada em toda a sua duração.

O Morro dos Ventos Uivantes estreia em 12 de fevereiro nos cinemas brasileiros.

Nota: